Xingado no ato final de trabalho corajoso no Botafogo, Barroca erra em mexida e vê 4-4-2 não dar certo
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Xingado no ato final de trabalho corajoso no Botafogo, Barroca erra em mexida e vê 4-4-2 não dar certo

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Eduardo Barroca iniciou seu trabalho à frente do Botafogo em 16 de abril de 2019. Na chegada, prometeu um futebol de coragem e protagonismo. Conseguiu rapidamente. Disse também que suas escolhas por atletas seriam pautadas na busca por resultados imediatos. Venceu três de seus quatro primeiros jogos. Posteriormente o time oscilou, e o ato final deu-se na derrota por 1 a 0 para o rival Fluminense no domingo, em casa. Um jogo em que suas escolhas do início ao fim não deram certo.

+LEIA MAIS: Após quarta derrota consecutiva, Eduardo Barroca não resiste e é demitido pelo Botafogo

Em seu 27º e último jogo pelo Botafogo, levou a campo uma equipe bem diferente da com a qual iniciou seu trabalho. Já não tinha mais Erik, dos poucos no elenco com características de velocidade. Nunca teve Biro Biro, de mesmo estilo e que acabou afastado por problema cardíaco. E nem contou com Alex Santana, responsável por acelerar o ritmo em jogos como o deste domingo, principal jogador do time em 2019 e ausência nas últimos quatro partidas por uma torção no pé esquerdo.

Barroca deixa o Botafogo com 10 vitórias, 14 derrotas e três empates (40,7% de aproveitamento).

Sem muitas opções e com um elenco majoritariamente formado por atletas da base (mais de 50%), sofreu em seu último jogo com o mesmo problema enfrentado em recentes derrotas: excesso de lentidão, pouca intensidade e falta de dinamismo. Abriu mão do 4-3-3 com os dois laterais-direitos e optou por 4-4-2. Não foi feliz na decisão. Vamos ao jogo.

Fluminense domina no primeiro tempo

Barroca mudou o esquema e montou a equipe no 4-4-2, com duas linhas de quatro. No meio, Diego Souza e João Paulo abriam pelos lados. Bochecha e Cícero jogavam por dentro.

No início, após ótima jogada de Diego Souza, Luiz Fernando recebeu no meio e virou o corpo para procurar um companheiro na ponta direita. Não encontrou ninguém. Não soube o que fazer, mostrou que tentava se adaptar à nova disposição tática e parecia perdido.

Luiz Fernando, aliás, foi um dos termômetros do desorganizado e precipitado Botafogo no primeiro tempo. No fim da etapa, chutou uma bola nas costas de Vinícius Tanque quando o companheiro disparava para dar opção pela direita. Depois, no melhor lance da equipe, recebeu de Tanque na cara de Muriel, mas chutou de primeira em lance no qual tinha espaço para dominar e buscar o melhor canto.

O Fluminense dominou a maior parte do primeiro tempo. Até os 15 minutos, chegou a ter quatro finalizações contra nenhuma do adversário e 70% de posse de bola.

No gol tricolor, falhas de dois dos mais experientes do Botafogo: Carli deixou Yony González antecipar, e Gatito estava muito mal colocado. Além disso, o cabeceio do colombiano não saiu com tanta força.

Barroca demora a mexer e saca Bochecha na reta final

O Botafogo voltou do intervalo da mesma maneira. Se conseguira equilibrar a posse de bola, mantinha também, para o desespero de seus torcedores, a enorme dificuldade de criar perigo ao rival.

O tempo passava e, aos 15 minutos, o Fluminense já havia se aproximado do gol em ótimas chances perdidas por Allan e Yony, que fez um carnaval diante de Gabriel antes de finalizar com perigo. Aos 17, enfim, Barroca resolveu fazer substituições, mas não ousou. Trocou ponta por ponta e centroavante por centroavante: Pimpão no lugar de Luiz Fernando e Victor Rangel no lugar de Tanque.

A nova dupla de ataque viveu apenas um bom momento, aos 25 minutos. Rodrigo Pimpão recebeu de João Paulo e tocou na entrada da área. Rangel deu belo drible, mas chutou fraquinho. Pouco depois, Barroca tirou Bochecha, o melhor do time àquela altura, e colocou Valencia. A torcida não gostou.

A partir daí o Botafogo só teria uma chance clara, criada por Diego Souza e desperdiçada por Pimpão após tomada de decisão errada do camisa 17.

Hostilizado pela primeira vez

Com a derrota e a demissão se encaminhando com mais uma fraca atuação do Botafogo, Barroca foi xingado em alto e bom som pela primeira vez no Nilton Santos, estádio onde era constantemente ovacionado no início do Campeonato Brasileiro.

Os gritos de "Ei, Barroca, vai tomar..." ecoaram no Nilton Santos após Wellington Nem desperdiçar chance cristalina em erro coletivo da defesa, aos 36 minutos da etapa final. O clima entre uma torcida que viveu lua de mel com o treinador tinha azedado de vez. Aliás, não tinha mais clima. A pressão interna e das redes sociais chegava à arquibancada.

O Botafogo não reagiu mais. Foi derrotado, e o trabalho de Barroca acabou interrompido. Coragem e ambição não faltaram. Prometeu lutar na parte de cima da tabela e conseguiu em boa parte do campeonato. Perdas de jogadores importantes em negociações, constantes desgastes por atrasos e lesões e suspensões diante de um elenco enxuto levaram o time às cordas.

A reação com Eduardo Barroca ainda era factível, tanto que os jogadores pediram ainda no Nilton Santos a permanência do comandante. Em vão. Quem trará a solução? Mais um jovem treinador ou um mais cascudo? A diretoria alvinegra precisa responder o quanto antes para que a luta contra o rebaixamento, tão distante na virada do turno, não vire uma realidade.

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