Transexuais participam de processo de seleção de emprego para supermercados de SP: 'Eu só preciso de uma oportunidade'
São Paulo

Transexuais participam de processo de seleção de emprego para supermercados de SP: 'Eu só preciso de uma oportunidade'

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Sem carteira assinada desde 2007, Vanessa Zanetri, de 50 anos, comemora a oportunidade de voltar para o mercado formal de trabalho. Duas redes de supermercado abriram 35 vagas de operador de lojas para mulheres e homens transexuais e travestis, nesta sexta-feira (4). A pré-seleção aconteceu na Galeria Olido, no Centro de São Paulo.

“É maravilhoso, dá visibilidade para esse público invisível. São coisas que a gente precisa falar e estou muito confiante.”

Vanessa conta que ficou desempregada 2007 e neste mesmo ano começou o processo de transição. “Foi ficando mais difícil de trabalhar e comecei com o trabalho informal.”

Ela já trabalhou informalmente como manicure e eventos, mas esta “torcendo” para conseguir uma das 35 vagas.

Mara Lavoisier, de 41 anos, também está otimista com a oportunidade. Há um mes em São Paulo, ela quer voltar a trabalhar formalmente. Saiu de Brasília, onde morou durante 20 anos, por ter perdido o emprego de cozinheira, passadeira e camareira.

“Sai de lá com R$ 10 no bolso e a passagem. Eu só preciso de oportunidade, porque eu não vou desistir! Eu vim para São Paulo para crescer.”

As vagas são efetivas e os salários variam entre R$ 786 e R$ 1.217. Os benefícios são assistência médica e odontológica, participação nos lucros da empresa, seguro de vida e vale-transporte. Os candidatos precisaram levar RG, CPF, número do PIS e a carteira de trabalho.

A ação faz parte do Programa Transcidadania e tem o objetivo de recolocar profissionalmente, integrar socialmente e resgatar a cidadania para o público em vulnerabilidade.

Abigaill Santos, de 42 anos, é coordenadora do programa Transcidadania desde fevereiro e explica que a seleção é um passo importante para a inclusão da população transexual.

“A gente quer que essas pessoas tenham acesso ao mercado de trabalho. Muitas delas estão indo para o primeiro emprego. Então aqui, a gente quer preparar essas pessoas e também as empresas que muitas vezes nao estao prontas para receber esse publico T, desrespeitam o nome social.”

Até as 15h, a expectativa é que pelo menos 100 pessoas passem pela atividade.

Antes da seleção, o CATe preparou os candidatos. Instruiu sobre comportamento, vestuário, orientações e postura. As candidatas interagiam e tiravam suas dúvidas.

“A pessoa sai daqui preparada para outras seleções. Muitas pessoas chegam aqui sem ensino medio, porque é um problema da população T a escolaridade. Grande parte não tem acesso a escola e tambem tem a evasão”, explica Abigaill.

Aline Cardoso, secretaria de desenvolvimento econômico e trabalho, diz que o objetivo é efetivas as 35 contratações.

“Tem sido um desafio por varias razões: formação, falta de experiência e comportamental. A gente ampliou as políticas de qualificação profissional. Temos dados orientações mais focadas.”

“A gente tem ampliado as pontes que conectam as pessoas mais vulneráveis às oportunidades e temos tentado preparar essas pessoas”, afirma Aline.

Esta é a quarta seleção destinada ao público trans. Das últimas três, 40 pessoas foram encaminhas para vagas e 19 contratações foram efetivadas, segundo informações da secretaria.