Meio-ambiente

Terra indígena com maior desmatamento do país perdeu 23% de floresta só em 2019

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Terra indígena no Pará tem o maior desmatamento do país e sofre pressão de grileiros, garimpeiros e desmatadores. A informação é do Ibama e do Ministério Público Federal, que concederam entrevista coletiva para denunciar ameaças e irregularidades que predominam na região.


Criminosos instalaram até postos de combustível clandestinos na rota de entrada da Terra Ituna-Itatá para abastecer o maquinário usado na derrubada da floresta.


A área indígena fica nos municípios de Altamira e Senador José Porfírio e abriga, inclusive, povos isolados.


De acordo com o MPF, a Terra Indígena perdeu 23% da cobertura florestal apenas no último ano. O procurador da República Adriano Lanna afirmou que o MPF tem acompanhado as ações do Ibama para coibir a prática dos crimes.


“Essas fiscalizações decorreram da verificação acentuada do desmatamento na área. Comparando com o ano anterior, teve um aumento de mais ou menos 700%. Durante as incursões na terra indígena, o Ibama constatou a existência de diversas pessoas assentadas ilegalmente, criando gado e desmatando a área de maneira irregular, motivo pelo qual realizou diversas autuações e promoveu a destruição dos instrumentos do crime”.


Em 2019, a terra indígena teve o maior desmatamento do país, correspondendo a 13% do total de devastação. Os dados são do Prodes, o sistema de medição do desmatamento oficial do país.


Só neste mês de janeiro, o Ibama identificou mil hectares de desmatamento. Também neste mês, o Ibama fechou dois postos na zona rural do município Senador José Porfírio.


A fiscalização apreendeu 5 mil litros de combustível. Os criminosos bloquearam vias e incendiaram uma ponte para impedir que a equipe do Ibama deixasse o local com o combustível apreendido. Não houve feridos na ocasião.


Ituna-Itatá está reservada como uma das condicionantes da usina hidrelétrica de Belo Monte.


Para o MPF, a ação das quadrilhas coloca em risco a vida de indígenas e pode provocar o avanço sobre as terras de outros povos que já sofrem grande pressão por causa dos impactos da usina de Belo Monte. É o caso das terras Trincheira-Bacajá, dos índios Xikrin, e Koatinemo, dos Assurini.


A Norte Energia - empresa responsável pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, disse, por meio de nota, que seu compromisso na Terra Indígena Ituna Itatá se limita à construção de uma Unidade de Proteção Territorial - que vem sendo tratada com os órgãos responsáveis pela política indigenista e de proteção territorial, e está prevista para ocorrer ainda em 2020.