Rafaela Silva chora ao comentar chance de não ir à Olimpíada de Tóquio por doping: "Injusto"
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Rafaela Silva chora ao comentar chance de não ir à Olimpíada de Tóquio por doping: "Injusto"

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Um dia depois de revelado o resultado positivo em exame antidoping realizado durante os Jogos Pan-Americanos, no mês passado, Rafaela Silva manteve a serenidade e a confiança para falar de sua inocência. Mas, pela primeira vez, ela chorou em frente às câmeras. Em sua primeira entrevista exclusiva, a judoca de 27 anos contou ao repórter Edgar Alencar como recebeu a notícia do doping e como foram os dias posteriores, inclusive com o medo de sofrer uma punição (que pode variar de advertência a suspensão de 2 anos) e não disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. A entrevista será exibida neste domingo, no Esporte Espetacular, a partir das 11h10.

- É algo que eu procuro nem pensar muito. Depois que eu perdi a Olimpíada de Londres (2012) foi algo que me afetou bastante. Mas eu tive a oportunidade de competir. Eu perdi, mas eu tive a oportunidade. E perder uma Olimpíada sem ter a oportunidade de participar vai doer mais do que em Londres – afirmou Rafaela, que logo começou a chorar.

Na Olimpíada de Londres, Rafaela foi desclassificada na segunda luta após aplicar um golpe proibido, segundo regras que haviam sido implementadas na época. Ela foi vítima de ataques racistas nas redes sociais e reagiu com xingamentos. A dor da estreia olímpica transformou-se em ouro quatro anos depois. Nos Jogos do Rio 2016, a judoca da Cidade de Deus foi medalhista de ouro. Desde o trauma de 2012, ela ainda conquistou o título mundial em 2013 e, em agosto passado, do Pan. Em 9 de agosto passado, dia da conquista do ouro em Lima, porém, passou por exame e testou positivo para o uso da substância proibida fenoterol, que tem efeito broncodilatador.

- Para tudo na vida, independente se o resultado é positivo ou negativo, a gente fica feliz e satisfeito com a cabeça de “eu tentei”. Não consegui, mas eu tentei. E a possibilidade de não poder tentar realizar o sonho que é uma nova medalha olímpica machuca bastante. É algo que procuro não pensar muito. Estou pensando no meus treinos todos os dias, fico focada nos meus treinos e nas competições que ainda tenho este ano. Algumas competições que tenho previstas para o ano que vem, que é o final da classificação olímpica que encerra no dia 20 de maio. E minha maior preocupação é treinar e competir, para deixar que o advogado faça a parte dele, que é provar minha inocência. E poder classificar tranquila para a Olimpíada de Tóquio 2020 - disse Rafaela.

A suspeita dela é de que a contaminação possa ter acontecido a partir do contato com um bebê. Lara, de sete meses, é filha de outra judoca do Instituto Reação, Flávia Rodrigues, e faz uso de medicação contra asma. O contato com a criança teria acontecido em 4 de agosto, na véspera do embarque para o Pan de Lima.

- Muitas pessoas vão falar, criticar, falar que foi justo porque deu positivo no doping, mas é algo que tenho a certeza que não fiz. Saber que uma criancinha que amo como se fosse da minha família... Eu não imaginaria que isso poderia acontecer comigo. Pra mim, saber que eu não fiz algo e me tirarem a chance de participar de uma Olimpíada vai ser muito injusto. A decisão não é minha, é das autoridades. Única coisa que posso fazer e que já fiz é passar pro meu advogado todas as provas que tenho e poder provar minha inocência, que é o que está todo mundo confiante, que isso possa se resolver o mais breve possível - concluiu.

De São Paulo, onde participaria de um evento no Sesc Paulista, ao lado do judoca medalhista olímpico Flávio Canto, Rafaela seguiria para Brasília, onde disputa o Grand Prix Nacional de Judô.