Ecorodovias vence leilão de concessão da BR-364/365
Economia

Ecorodovias vence leilão de concessão da BR-364/365

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A Ecorodovias venceu o leilão de concessão da rodovia BR-364/365, o primeiro do tipo no governo Bolsonaro. A empresa vai administrar, pelos próximos 30 anos, um trecho de 437 quilômetros ligando as cidades de Uberlândia, em Minas Gerais, e Jataí, em Goiás.

Essas estradas fazem conexão com as rodovias BR-050 e BR-153, e são um importante corredor de escoamento da produção agroindustrial do sudeste goiano e Triângulo Mineiro. O leilão aconteceu nesta sexta-feira (27), na sede da B3, em São Paulo.

A empresa ofereceu uma tarifa de pedágio de R$ 4,69364, um desconto de 33,14% em relação à tarifa máxima determinada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de R$ 7,02.

As propostas foram entregues pelas três interessadas no dia 23 de setembro. Além da Ecovias, participaram da disputa a Silva & Bertoli Empreendimentos e o consórcio Way (formado por construtoras que compunham a antiga MGO e pela companhia de logística GLP).

A concessão prevê sete praças de pedágio: quatro em Minas Gerais (Uberlândia, Monte Alegre de Minas, Ituiutaba e Santa Vitória) e três em Goiás (Paranaiguara, Cachoeira Alta e Jataí).

Veja as propostas apresentadas

Consórcio Way-354/365

  • Tarifa de pedágio oferecida: R$ 5,82673
  • Deságio de 17%

Ecorodovias

  • Tarifa de pedágio oferecida: R$ 4,69364
  • Deságio de 33,14%

Silva e Bertoli Empreendimentos e Participações

  • Tarifa de pedágio oferecida: R$ 5,75640
  • Deságio de 18%

A vencedora

A Ecorodovias detém atualmente nove concessões rodoviárias, além de uma unidade de logística em Cubatão (SP) e um terminal no Porto de Santos. Entre as rodovias administradas, estão o sistema Anchieta-Imigrantes, que liga São Paulo a Santos; o sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto, que liga a capital paulista ao Vale do Paraíba, e a ponte Rio-Niterói.

A empresa já opera um trecho de rodovia complementar ao leiloado nesta sexta, na BR-050, que também liga Minas a Goiás.

Segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, é isso que explica o significativo deságio oferecido pela empresa pela concessão. "São as sinergias, eles já estão lá", afirmou.

As outras duas propostas ofereceram valores parecidos pelo projeto, o que, de acordo com o ministro, sinaliza que as empresas tiveram "as mesmas informações disponíveis" para avaliar.

"Estamos bastante satisfeitos, foi um resultado muito bom", disse Freitas sobre o leilão, emendando que o programa de privatizações está "em pleno curso".

Para 2020, já estão previstas as concessões de outras sete rodovias. Essas e outras estradas que o governo estuda ceder à iniciativa privada somam 16 mil quilômetros, segundo Martha Seillier, secretária especial do programa de parcerias.

A primeira concessão do ano que vem será a da BR-101, em Santa Catarina, que será leiloada nos mesmos moldes da BR-364/365. A partir do certame seguinte, que será o da BR-381, em Minas Gerais, será estipulado um deságio máximo para as tarifas, a partir do qual as empresas deverão oferecer também uma outorga ao governo.

Marcelo Guidotti, diretor executivo de finanças da Ecorodovias, disse que a concessão das BR-364/365 vinha sendo estudada há um tempo e se "encaixa muito bem" no projeto do grupo, que quer focar na administração de estradas.

Segundo Guidotti, a operação da empresa no trecho já começa em janeiro do ano que vem, com obras, serviços de manutenção e socorro médico, por exemplo. As praças de pedágio serão constituídas ao longo de 2020 e as cobranças começarão em 2021.

Perguntado se o acordo de leniência assinado recentemente pela empresa junto ao Ministério Público Federal poderia interferir na tomada de recursos para bancar o projeto, o executivo disse que esse é um "capítulo encerrado".

“Agora estamos cumprindo com o estabelecido, acho que não é o momento nem a ocasião para discutir isso”, afirmou.

A empresa admitiu que pagou propinas para conseguir mudanças contratuais em benefício de suas concessionárias e concordou em reduzir tarifas de pedágio em 30% em seis praças no Paraná.

Investimentos

O investimento previsto é de R$ 2,06 bilhões para obras e de R$ 2,51 bilhões em custos operacionais como conservação, operação e monitoramento, totalizando R$ 4,57 bilhões ao longo dos 30 anos da concessão.

Entre as principais obras previstas para a rodovia estão a duplicação de 44,2 quilômetros e 134,30 quilômetros de faixas adicionais, além da complementação das obras do chamado Trevão (entroncamento da Rodovia BR-365/MG com a Rodovia BR-153/MG).

Concessões

O último leilão de rodovia pelo governo federal foi o da concessão Integração do Sul (RIS), realizado em novembro de 2018, do qual saiu vencedora a Companhia de Participações em Concessões, do grupo CCR.

Entre as próximas a serem leiloadas está a BR-101/SC, no trecho de 220,4 km entre o sul de Palhoça/SC e a divisa com o Rio Grande do Sul, com previsão para janeiro do ano que vem.