Último título da Argentina completa 26 anos; veja lista de craques que não sabem o que é ser campeão
argentina

Último título da Argentina completa 26 anos; veja lista de craques que não sabem o que é ser campeão

  • Compartilhar
  • Compartilhar
  • Compartilhar

Quer receber notíticas em tempo real? Curta o Notícia Plus

Fardo carregado por diversas gerações ao longo dos últimos anos, o jejum de títulos da Argentina completa nesta quinta-feira exatos 26 anos.

Em 4 de julho de 1993, a seleção alviceleste celebrou sua última conquista: a Copa América daquele ano, disputada no Equador, após uma final contra o México.

Desde então, foram 18 torneios valendo títulos, entre Copas do Mundo, Copas das Confederações e Copas América. E uma série de decepções, incluindo de eliminações na fase de grupos a vice-campeonatos. Tudo protagonizado por gerações capitaneadas por craques como Riquelme e Messi, todos com sucesso em clubes, mas fracassos na seleção argentina.

A última frustração aconteceu na terça-feira, quando os argentinos caíram nas semifinais da Copa América diante do Brasil. A derrota dos comandados de Lionel Scaloni assegurou que o jejum persistirá até julho de 2020, completando 27 anos e igualando o maior período de seca da seleção brasileira - que ficou sem títulos entre 1922 e 1949. A próxima chance de Messi e cia. só virá depois deste aniversário, numa possível reta final da próxima edição da Copa América.

Relembre a conquista de 1993:

Aquela conquista no Equador deu seguimento à época mais vitoriosa dos hermanos. Campeã do mundo em 1978 e 1986, a seleção vinha de dois anos de conquistas consecutivas: a Copa América de 1991 e a Copa das Confederações de 1992. A geração vitoriosa do início da década de 1990 contava com nomes que se tornariam lendas no futebol argentino.

O time que foi à Copa América de 1993 tinha Goycochea no gol, Ruggeri na defesa, Simeone no meio de campo e Batistuta no ataque. Todos sob o comando de Alfio Basile, que também havia sido o treinador nas campanhas vitoriosas nos anos anteriores e abriu mão de contar com Maradona - que já havia sido suspenso por uso de cocaína anteriormente.

A Argentina caiu no grupo C do torneio, tendo como rivais Bolívia, Colômbia e México - na edição que marcou o início da era dos convidados na competição da Conmebol. E o desempenho na primeira fase não foi dos melhores. Na estreia, triunfo sobre os bolivianos por 1 a 0, com um gol de Batistuta aos nove minutos do segundo tempo, após bela arrancada. Mas também uma baixa: Darío Franco sofreu lesão em dividida, sendo cortado para dar lugar a Basualdo.

O segundo confronto foi contra o México. O time saiu atrás no placar, mas conseguiu empatar na etapa inicial com um gol de Ruggeri, após cruzamento de Batistua, ficando no 1 a 1. O último duelo do grupo também acabou empatado: 1 a 1 com a geração dourada da Colômbia - Simeone abriu o placar aos 2 minutos, e Rincón empatou na sequência.

Com quatro pontos, a Argentina avançou na segunda colocação do grupo C, o que a colocou logo de cara na rota do Brasil - que também tropeçou e ficou na segunda posição de uma chave liderada pelo Peru.

Com a rivalidade em alta, após a queda brasileira para os argentinos na Copa de 1990, a alviceleste levou a melhor de novo, desta vez nos pênaltis. Após um empate em 1 a 1 (Müller abriu o placar, e Leonardo Rodríguez empatou), Goycochea se tornou herói ao defender a cobrança de Marco Antônio Boiadeiro, no início das alternadas, garantindo o triunfo por 6 a 5 (Gorosito, Simeone, Leo Rodríguez, Acosta, Ramón Bello e Borelli bateram para os hermanos).

A semifinal marcou o reencontro com os colombianos, com quem a Argentina já havia protagonizado um jogo nervoso, com direito a expulsões de Redondo e Rincón. Nesta ocasião, entretanto, nenhuma das equipes balançou a rede. Após o 0 a 0 no tempo normal, novamente o drama dos pênaltis. E mais uma vez brilhou a estrela de Goycochea. Após os cinco primeiros batedores de cada time acertarem o gol, Aristizábal parou nas mãos do goleiro - que seria eleito o melhor jogador do torneio -, e Borelli sacramentou a vaga na decisão.

A Argentina chegou na final motivada por uma invencibilidade que já durava 28 partidas, desde o fim de 1990 - apesar da sequência de quatro empates dentro da Copa América. Na decisão, o reencontro foi com os mexicanos. A Argentina saiu à frente aos 19 minutos, com Batistuta, que recebeu lançamento e bateu na saída de Jorge Campo. O time da América Central conseguiu o empate três minutos depois, em cobrança de pênalti sofrido por Galindo e convertido pelo próprio atacante.

Aos 29 minutos, mais uma vez o poder de decisão de Batigol. Simeone bateu lateral rapidamente para o atacante, que soltou uma bomba para estufar as redes. Os hermanos mantiveram a vantagem no segundo tempo e sacramentaram a conquista do 14º (e último) título de Copa América de sua história.

Campanha:

  • Argentina 1 x 0 Bolívia - 1ª rodada do grupo C - 17/06/1993
  • Argentina 1 x 1 México - 2ª rodada do grupo C - 20/06/1993
  • Argentina 1 x 1 Colômbia - 3ª rodada do grupo C - 23/06/1993
  • Brasil 1 (5) x (6) 1 Argentina - Quartas de final - 27/06/1993
  • Argentina 0 (6) x (5) 0 Colômbia - Semifinais - 01/07/1993
  • Argentina 2 x 1 México - Final - 04/07/1993

Jejum atravessa gerações

Após a terceira conquista em três anos, a Argentina começou as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 com uma sequência de três vitórias e chegou a 32 jogos de invencibilidade. Mas, ainda naquele ano de 1993, deu adeus à boa fase e iniciou uma pequena crise, com direito a derrota por 5 a 0 para a Colômbia.

A equipe ficou na segunda colocação do grupo 1 das eliminatórias, precisando ir aos playoffs disputar uma vaga no Mundial dos Estados Unidos contra a Austrália. Com Maradona de volta, o time de Alfio Basile superou os australianos no sufoco (1 a 1 e 1 a 0) e foi à Copa do Mundo de 1994, quando caiu nas oitavas de final para a Romênia, após o escândalo de doping envolvendo Don Diego.

Aquele foi o primeiro torneio oficial no qual os argentinos fracassaram depois de sua sequência vitoriosa. Foi também a primeira de uma série de 18 decepções que completa hoje 26 anos, que impôs a inúmeros jogadores relevantes o fardo de não ter conquistado nenhum título com sua seleção. Veja abaixo a lista de fracassos da Argentina e dos craques sem troféu.

As campanhas sem título:

Copa do Mundo:

  • 1994 - Eliminação nas oitavas de final para a Romênia (3 a 2)
  • 1998 - Eliminação nas quartas de final para a Holanda (2 a 1)
  • 2002 - Eliminação na fase de grupos (Suécia, Inglaterra e Nigéria)
  • 2006 - Eliminação nas quartas de final para a Alemanha (nos pênaltis, após 1 a 1)
  • 2010 - Eliminação nas quartas de final para a Alemanha (4 a 0)
  • 2014 - Derrota na final para a Alemanha (1 a 0)
  • 2018 - Eliminação nas oitavas de final para a França (4 a 3)

Copa América:

  • 1995 - Eliminação nas quartas de final para o Brasil (nos pênaltis, após 2 a 2)
  • 1997 - Eliminação nas quartas de final para o Peru (2 a 1)
  • 1999 - Eliminação nas quartas de final para o Brasil (2 a 1)
  • 2004 - Derrota na final para o Brasil (nos pênaltis, após 2 a 2)
  • 2007 - Derrota na final para o Brasil (3 a 0)
  • 2011 - Eliminação nas quartas de final para o Uruguai (nos pênaltis, após 1 a 1)
  • 2015 - Derrota na final para o Chile (nos pênaltis, após 0 a 0)
  • 2016 - Derrota na final para o Chile (nos pênaltis, após 0 a 0)
  • 2019 - Eliminação nas semifinais para o Brasil (2 a 0)

Copa das Confederações:

  • 1995 - Derrota na final para a Dinamarca (2 a 0)
  • 2005 - Derrota na final para o Brasil (4 a 1)

Os craques sem título:

Goleiros:

Pato Abbondanzieri

Arqueiro da seleção argentina desde o começo dos anos 2000, após se destacar em uma vitoriosa geração do Boca Juniors, Abbondanzieri viveu decepções com o time nacional em três torneios: foi vice-campeão da Copa América em 2004 e 2007 e caiu com a equipe nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006.

Sergio Romero

Goleiro com mais jogos a serviço da seleção argentina (96 no total), Sergio Romero nem sempre gozou de prestígio na posição. Mas foi titular na campanha do vice-campeonato mundial no Brasil, em 2014, e também participou das derrotas nas finais das Copas Américas de 2015 e 2016. Jogou a competição continental em 2011 e esteve presente na campanha do Mundial de 2010.

Franco Armani

Embora tenha apenas 10 partidas a serviço de sua seleção, Armani já pôde viver duas decepções com a equipe. O goleiro do River Plate esteve na eliminação argentina na Copa do Mundo do ano passado, diante da França, e foi titular absoluto na campanha da Copa América deste ano.

Defensores:

Roberto Ayala

O defensor foi um dos expoentes da geração seguinte à bicampeã da América no começo da década de 1990. Com 72 jogos a serviço da equipe nacional, participou dos vice-campeonatos na Copa das Confederações de 1995 e 2005, e também esteve presente nas campanhas de 1995, 1999, 2004 e 2007 da Copa América. Disputou as Copas do Mundo de 1998, 2002 e 2006.

Javier Zanetti

Defensor com mais jogos a serviço da seleção argentina, Javier Zanetti é outro craque sem títulos no país. Com 143 partidas com a camisa alviceleste, disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002, as Copas das Confederações de 1995 e 2005 e cinco Copas Américas (1995, 1999, 2004, 2007 e 2011), tendo atravessado diversas gerações como um dos líderes do vestiário.

Juan Pablo Sorín

Marcante no futebol brasileiro, Sorín também teve história vasta na seleção argentina, com 75 jogos pelo time. O ex-lateral do Cruzeiro estava presente no fracasso hermano na Copa do Mundo de 2002 e na eliminação em 2006. Jogou, também, as Copas Américas de 1999 e 2004, e a Copa das Confederações de 2005.

Walter Samuel

Parceiro de Zanetti na Inter de Milão, Samuel também jogou ao lado do amigo na seleção argentina, mas não conseguiu o mesmo sucesso que no clube. O defensor esteve presente nas Copas do Mundo de 2002 e 2010, além da Copa América de 1999 e da Copa das Confederações de 1995. E esteve na Copa América deste ano, na comissão técnica de Lionel Scaloni.

Gabriel Heinze

Ex- jogador de equipes como PSG, Manchester United e Real Madrid, Heinze não conseguiu conquistas pela seleção. O zagueiro estava presente nas campanhas fracassadas de 2006 e 2010 na Copa do Mundo, na Copa das Confederações de 2005 e nas Copas Américas de 2004 e 2007.

Volantes:

Juan Sebastián Verón

Sinônimo de raça e criatividade no meio de campo, Verón marcou época com a camisa da seleção argentina. Mas é mais um a engrossar a lista dos craques sem título. "La Brujita" só jogou uma Copa América, em 2007, mas participou de três campanhas fracassadas da Argentina na Copa do Mundo: 1998, 2002 e 2010.

Estebán Cambiasso

Mais um hermano com passagem pelo Real Madrid, Cambiasso jogou apenas uma Copa do Mundo pela seleção, em 2006, e também esteve presente nas Copas Américas de 2007 e 2011, além da Copa das Confederações de 2005.

Javier Mascherano

Nome certo nas convocações argentinas desde o começo da década de 2000, Mascherano é hoje o meio de campo com mais jogos pela equipe, somando 147 aparições. Atuando tanto como volante como zagueiro, o atleta disputou quatro Copas do Mundo (2006, 2010, 2014 e 2018) e cinco Copas América (2004, 2007, 2011, 2015 e 2016). Ainda assim, não conseguiu uma conquista pelo time.

Meio-campistas:

Ariel Ortega

Jogador histórico do River Plate, Ortega também tem vasto serviço prestado à seleção sem ter conseguido levantar um troféu. O meia fez parte da geração imediatamente seguinte à vitoriosa de 1993, disputando as Copas do Mundo de 1994, 1998 e 2002, as Copas Américas de 1995 e 1999, e a Copa das Confederações de 1995.

Marcelo Gallardo

Hoje cotado como possível técnico da seleção no futuro, Gallardo tentará ter um destino mais vitorioso do que como jogador na equipe. O ex-meia participou das campanhas nas Copas Américas de 1995 e 1997, na Copa das Confederações de 1995 e jogou duas Copas do Mundo: 1998 e 2002.

Pablo Aimar

O ex-meia de River Plate, Valencia e Benfica é mais um "enganche" a fazer parte da lista de grandes jogadores sem título na seleção alviceleste. Aimar disputou as Copas do Mundo de 2002 e 2006, as Copas Américas de 1999 e 2007 e a Copa das Confederações de 1995. Neste ano, esteve na comissão técnica de Lionel Scaloni na Copa América.

Juan Román Riquelme

Considerado um dos grandes craques do futebol argentino desde Diego Maradona, Riquelme não conseguiu liderar sua geração para quebrar o jejum de títulos dos hermanos. O ídolo do Boca Juniors disputou apenas uma Copa do Mundo, em 2006, mas também participou dos fracassos nas Copas Américas de 1999 e 2007, além da Copa das Confederações de 1995.

Atacantes:

Hernán Crespo

Visto como sucessor de Batistuta no ataque argentino, Hernán Crespo muitas vezes fez a torcida argentina comemorar, mas também não conseguiu levar um troféu com sua seleção. O ex-jogador do Parma participou das decepções nas Copas do Mundo de 1998, 2002 e 2006 e também foi vice-campeão da Copa América em 2007.

Javier Saviola

Embora tenha despontado como promessa do futebol argentino no River Plate, Saviola não teve uma trajetória tão vasta por sua seleção. Ainda assim, o ex-jogador de Barcelona e Real Madrid disputou a Copa do Mundo de 2006, a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2005.

Carlitos Tevez

Com 76 jogos pela seleção argentina, Tevez foi preterido por alguns técnicos na reta final de sua carreira, mesmo sendo pedido por torcedores, e acabou encerrando sua trajetória longe da chance de buscar um título. Jogou duas Copas do Mundo (2006 e 2010), quatro Copas América (2004, 2007, 2011 e 2015) e uma Copa das Confederações (2005).

Gonzalo Higuaín

Culpado por muitos torcedores argentinos por ter perdido chances claras na final da Copa do Mundo de 2014 e na decisão da Copa América de 2015, Higuaín perdeu espaço no time depois do Mundial de 2018 e pode ter finalizado sua trajetória no time sem conquistas. Também participou da Copa do Mundo de 2010 e das Copas América de 2011 e 2016.

Lionel Messi

Melhor jogador do mundo por cinco vezes, apontado como extraterrestre, sucessor de Maradona e até mesmo melhor da história para alguns... Apesar de tantos adjetivos, Messi acabou se tornando um dos grandes símbolos do longo jejum argentino, pois suas qualidades e liderança não foram suficientes para tirar o time da fila. Com alguns momentos de brilho e outros de decepção, o camisa 10 esteve presente em quatro campanhas fracassadas em Copas do Mundo (2006, 2010, 2014 e 2018) e em cinco na Copa América (2007, 2011, 2015, 2016 e 2019). Mas ainda segue tendo uma pequena esperança de mudar a história em suas últimas chances.

Ángel Di María

Coadjuvante de luxo de Messi e com grandes atuações pela seleção, Di María também era visto como esperança nas últimas tentativas da Argentina de conquistar um troféu. Com participação nas Copas do Mundo de 2010, 2014 e 2018 e nas Copas Américas de 2011, 2015 e 2016, teve desempenho ruim neste ano e pode ter perdido espaço na equipe nacional.

Kun Agüero

Perto de completar 100 jogos pela Argentina (atualmente tem 95), o atacante do Manchester City é o terceiro maior artilheiro da história do time, com 39 gols. Entretanto, não conseguiu ter grandes momentos de brilho em sua trajetória pela equipe nacional, tendo disputado três Copas do Mundo (2010, 2014 e 2018) e quatro Copas América (2011, 2015, 2016 e 2019).