Tom político do rock de Brasília nos anos 80 ressoa até hoje, diz vocalista da Plebe Rude
João Rock 2019

Tom político do rock de Brasília nos anos 80 ressoa até hoje, diz vocalista da Plebe Rude

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Na década de 1980, o Brasil foi palco de uma grande efervescência musical, na qual o rock se destacou por meio do nascimento de diversas bandas influenciadas pelo cenário político, social e cultural da época – marcado pela ditadura.

Além da temática, outra característica uniu muitas delas: Brasília (DF). Foi na capital federal que nasceram grupos que construíram uma carreira sólida e, até hoje, estão na estrada e nas paradas de sucesso.

São eles e esse relevante cenário musical os homenageados da 18ª edição do festival João Rock, que acontece neste sábado (15), em Ribeirão Preto (SP). A “capital do rock”, como já foi conhecido nosso distrito federal, será o tema do Palco Brasil.

“É um reconhecimento mais que justo, porque, quando o rock brasileiro surgiu em meados de 1980, foi o som de Brasília que deu seriedade. Foi ele que chegou com uma lucidez na postura e nas letras que não existia até então. E isso ressoa até hoje”, destaca Philippe Seabra, vocalista da banda de punk rock Plebe Rude.

Formada em 1981, a banda fará parte do tributo, ao lado de Capital Inicial, Raimundos, Natiruts e Tribo da Periferia, além de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá com o projeto no qual retomam o repertório do Legião Urbana.

Brasília também será lembrada no Palco João Rock por Os Paralamas do Sucesso e Scalene, que dividirão o espaço com Pitty, Zeca Baleiro, CPM 22, Baiana System, Marcelo D2, Alceu Valença, e Emicida e Rael (que convidam Mano Brown).

Resultado de um movimento

Quem for conferir as atrações dessa homenagem pode esperar ouvir muitas letras com conteúdo questionador e consciência social, resultado das influências sofridas pela capital durante aquela década.

“Todo mundo era filho de acadêmico. Então os pais impeliram nossa curiosidade intelectual, que é algo que sinto muita falta hoje em dia. Aí você alia isso a crescer no meio da ditadura, na latrina que é Brasília, onde tudo vai ralo abaixo, com os hormônios à flor da pele, mais o movimento punk rock explodindo no mundo, tinha que dar o que deu. Realmente podemos dizer que foi um movimento”, define Seabra.

O vocalista, ao lado de André X, no baixo, é um dos membros da formação original da banda, que atualmente conta com Clemente na guitarra e Marcelo Capucci na bateria. Segundo ele, as bandas brasilienses foram reflexos de um momento no tempo e espaço muito particular.

“O isolamento físico e cultural da cidade, na época, meio que nos propeliu a buscar nossos próprios caminhos e criar a nossa própria cultura”.

Reencontro

Integrante da Raimundos, outra banda que fez parte do movimento descrito por Seabra, ainda que tenha nascido mais no fim da década (em 1987), o baixista Canisso reforça a influência da política no rock nacional.

“A proximidade do poder é uma visão privilegiada. Assim, é bastante sintomático o estilo contestatário encontrar grandes representantes na capital”.

Ele afirma que, nesse contexto, foi muito legal testemunhar o começo de vários dos nomes que tocarão no Palco Brasil - Edição Brasília, e comemora a chance de todos se reencontrarem. “A expectativa é de uma grande festa tanto no nosso palco quanto no backstage, já que as bandas são amigas e surpresas podem acontecer”, especula.

Para o João Rock 2019, Canisso, com a companhia de Digão (vocal), Marquim (guitarra) e Caio (bateria), promete uma apresentação especial, parte da turnê de 25 anos do Raimundos, com os principais sucessos do grupo e uma participação já confirmada: do baterista Fred Castro, parte da formação original da banda.

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