Sindicato teme demissões após Minerva dar férias coletivas enquanto exportação de carne bovina à China está suspensa
Ribeirão Preto e Franca

Sindicato teme demissões após Minerva dar férias coletivas enquanto exportação de carne bovina à China está suspensa

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O Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação teme demissões após o frigorífico Minerva anunciar férias coletivas para a unidade em Barretos (SP). A partir de segunda-feira (17), 635 funcionários paralisarão as atividades para a realização de serviços de manutenção.

As férias acontecem durante o período de suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a China, anunciado no início de junho pelo governo federal após a morte de um animal no Mato Grosso. De acordo com informações do Ministério da Agricultura, uma vaca contraiu encefalopatia espongiforme bovina (EEB), a chamada doença da "vaca louca".

“A gente não sabe por quanto tempo pode durar a suspensão e o sindicato está preocupado com possíveis demissões se o quadro não se reverter brevemente. São 635 empregos. Isso dentro do nosso município faz uma diferença muito grande”, diz o presidente Enilson Roberto da Silva.

A medida tomada pelo governo federal atende a um acordo bilateral assinado em 2015. O protocolo prevê a suspensão quando houver algum risco após a detecção de alguma doença.

Segundo o Ministério da Agricultura, o animal doente já foi abatido e todo o material "de risco específico para a doença" foi removido durante o abate e incinerado.

Férias

A previsão é que as férias no frigorífico sigam até 30 de junho. De acordo com o sindicato, a unidade é a única da empresa no Brasil a exportar carne para a Ásia. Diariamente, são abatidas 840 cabeças de gado.

De acordo com Silva, manutenções são feitas periodicamente na Minerva em cumprimento às exigências sanitárias. Mas, desta vez, os serviços estão sendo feitos em razão da suspensão das exportações.

Na segunda-feira (10), funcionários começaram a ser comunicados sobre as férias, mas o sindicato já havia sido informado na semana passada.

Apesar da paralisação do abate na unidade e da possibilidade de prejuízo, o pecuarista Tonico Carvalho vê com bons olhos a atuação do governo no problema e espera que a situação seja normalizada até o fim de junho.

“O único caso foi com a China, nenhum outro país parou a exportação, está tudo normal. O que acontece é que tem o lado comercial e ele foi afetado. O preço do boi caiu R$ 9 em uma semana, coisa que é completamente anormal. Em 15 dias deve estar tudo normal.”

Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) prevê que as exportações sejam retomadas no fim deste mês e que os embarques represados podem ser compensados em julho, com possibilidade atingir números recordes.

Mercado importante

A suspensão das exportações ocorre em um momento em que o Brasil tenta ampliar os embarques de carnes para a China, diante do surto de peste suína que vem reduzindo a oferta de proteína animal no país.

No começo de maio, uma comitiva brasileira, chefiada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, visitou uma série de países asiáticos. Um dos principais objetivos da visita era a liberação de frigoríficos brasileiros para exportar para a China.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a China é principal mercado para carne do Brasil em faturamento e o segundo em volume (atrás somente de Hong Kong).

Em 2018, os embarques de carne bovina para a China somaram 322,4 mil toneladas e US$ 1,49 bilhão. Os números representam alta de 52,54% e 60,04%, respectivamente, em relação a 2017.

Nos primeiros quatro meses deste ano, as vendas para o mercado chinês representaram 17,8% do volume total de carne bovina embarcado, com 95,7 mil toneladas e um faturamento de US$ 442,4 milhões, de acordo com a associação.