Ministra da Agricultura diz em encontro dos Brics que foi exagero taxar Brasil de vilão em relação as queimadas
Mato Grosso do Sul

Ministra da Agricultura diz em encontro dos Brics que foi exagero taxar Brasil de vilão em relação as queimadas

  • Compartilhar
  • Compartilhar
  • Compartilhar

Quer receber notíticas em tempo real? Curta o Notícia Plus

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que houve um exagero de outras nações ao taxar o Brasil de vilão em relação as queimadas que estão ocorrendo na Amazônia.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (25), em Bonito, sudoeste de Mato Grosso do Sul, em encontro que reúne os ministros e vice-ministros de agricultura dos países integrantes dos Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

“Não podemos fugir do tema [queimadas na Amazônia]. Agora temos que achar mecanismos de contenção para que isso não aconteça de maneira descontrolada. Mas eu quero dizer que teve um exagero muito grande sim, e isso é ruim para o nosso país, porque eu acho que você criar medidas mitigatórias para resolver esse problema sim, mas dizer que o Brasil, que é um país que está há 20 anos na vanguarda do que é bom no meio ambiente, de repente, nós somos taxados como vilões do meio ambiente, o que não é verdade”, disse a ministra.

A análise tem o contexto da crise internacional provocada, em agosto, pela alta das queimadas na floresta Amazônica. O presidente da República, Jair Bolsonaro, chegou a trocar farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron, que deixou em aberto a discussão sobre um possível status internacional na Amazônia.

Segundo o o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1º de janeiro até o dia 23 de setembro de 2019, o bioma Amazônia acumula 69.073 focos de queimadas. No mesmo período do ano anterior, foram 46.892 focos, aumento de 47%.

Como exemplo de medidas estipuladas para proteger o meio ambiente no país, Tereza Cristina citou a reserva legal que existe no local onde está sendo realizado o encontro dos Brics, um observatório sócio-ambiental do município, chamado de Eco Sesi.

“Hoje eu explicando aqui para os ministros o exemplo do Eco Sesi, dizendo que ali corre um rio, e que é obrigatório pelo Código Florestal Brasileiro você manter a reserva legal, as áreas de proteção permanentes né. Eles não sabiam disso, porque nos países deles não tem isso. Então, o Brasil é um dos poucos países do mundo que têm um código florestal severo e que os produtores rurais sabem”, destacou.

A ministra destacou ainda que pessoas que desrespeitam a legislação ambiental existem em todos os países, não somente no Brasil, e que todo o trabalho desenvolvido pelo país em defesa do meio ambiente não pode ser desqualificado devido a ação de quem atua na ilegalidade.

Carne brasileira nos EUA

A ministra também falou sobre a espera pela resposta dos Estados Unidos dos resultados da missão técnica que há 3 meses visitou frigoríficos no país para analisar a reabertura do mercado para a carne bovina in natura do Brasil.

"Nós estamos aguardando e para esse mês, pelo menos esse é o combinado. Já fizeram a missão aqui, já fizeram a visita aos frigoríficos e nós estamos aguardando o relatório final, esperando que ele seja favorável para reabertura desse mercado. Ficaram de dar essa reposta entre o final do mês de setembro e outubro”, disse.

Encontro dos Brics

O encontro dos representantes da agricultura dos países membros do Brics termina nesta quinta-feira, quando deverá ser assinada uma declaração conjunta. A reunião está discutindo como a inovação tecnológica pode ajudar a agropecuária a aumentar sua produção para atender a crescente demanda mundial por alimentos.

Participam do encontro: Taolin Zhang, vice-ministro da Agricultura da China, Sergey Levin, vice-ministro da Agricultura da Russia, Tereza Cristina, ministra da Agricultura do Brasil, Mcebisi Skwatsha, vice-ministro da agricultura da Africa do Sul e Bimbadhar Pradhan, vice-ministro da Agricultura da India.