Kit brasileiro para ensino de engenharia arrecada mais de R$ 1 milhão em financiamento coletivo
Educação

Kit brasileiro para ensino de engenharia arrecada mais de R$ 1 milhão em financiamento coletivo

  • Compartilhar
  • Compartilhar
  • Compartilhar

Quer receber notíticas em tempo real? Curta o Notícia Plus

Criado por um arquiteto brasileiro, um kit com 235 peças magnéticas de montar arrecadou em junho mais de R$ 1,1 milhão em uma campanha de financiamento coletivo. À primeira vista, ele pode parecer um brinquedo. Mas o Kit Estrutural Mola, desenvolvido pelo paraense Márcio Sequeira, tenta aprimorar o ensino de conceitos de estruturas a estudantes de arquitetura e engenharia e, segundo ele, já é usado em mais de 300 universidades de mais de 70 países.

"O Mola é uma espécie de um Lego para engenheiros e arquitetos, que simula o comportamento de estruturas reais", resumiu Sequeira ao G1 (assista no vídeo acima).

Em sua terceira edição, o kit recebeu melhorias e novas peças – que podem ser usadas com as dos produtos anteriores.

Entre as novidades estão mais cabos e argolas que ajudam a para montar uma série de prédios diferentes, inclusive construções famosas, como a ponte da Baía de Sydney, na Austrália.

Abstrato x concreto

A ideia por trás é justamente deixar que estudantes que um dia projetarão grandes construções possam sair de conceitos abstratos ensinado nas faculdades.

Por exemplo: como objetos podem se comportar quando usam a tração e a compressão de forma combinada, e manter a resistência e a estabilidade? O propriedade por trás desse conceito se chama "tensegridade", ou integridade tensional.

O kit criado por Sequeira nasceu após anos de pesquisa. O paraense dedicou seu mestrado na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) ao projeto de testar objetos que possam representar de forma concreta e tridimensional os conceitos que os alunos em geral aprendem em uma lousa, caderno ou tela de computador.

Por que o financiamento coletivo?

Desde 2014, quando lançou seu primeiro financiamento coletivo, Sequeira está acostumado a bater recordes. Naquele ano, ele arrecadou R$ 600 mil em 45 dias, mais de dez vezes a meta inicial. Foram vendidos 1.600 kits para 1.524 apoiadores de 30 países.

Em 2016, uma segunda edição do produto recebeu R$ 700 mil de 1.082 apoiadores de 35 países diferentes, que compraram 1.500 kits.

"O financiamento coletivo já faz parte do DNA do Mola", diz Sequeira, que inicialmente tentou arrumar um investidor para seu produto, mas, sem sucesso, decidiu testar o interesse de pessoas físicas para garantir a fabricação.

"Então a gente optou por lançar essa terceira campanha de crowdfunding para o Mola 3. Primeiro, para financiar o produto, porque a gente precisa desses recursos para financiar o kit", afirmou o arquiteto e empresário.

"E além disso, para permitir que as pessoas que participaram do Mola 1 e do Mola 2 possam mais uma vez estar junto com a gente, participando do desenvolvimento do nosso novo produto."

Apoio de estrangeiros

Dessa vez, ele foi mais ousado, e fixou a meta em US$ 100 mil. Acabou conseguindo bater a meta em oito horas e, em 29 dias, juntou US$ 303.664, ou aproximadamente R$ 1,1 milhão. Ele também decidiu usar uma plataforma estrangeira de financiamento, para buscar ampliar o apoio de pessoas de fora ao projeto.

No total, 1.144 apoiadores de 52 países diferentes ajudaram na campanha e compraram 2 mil kits.

Se nas duas primeiras campanhas 90% dos apoiadores eram do Brasil, no lançamento do kit Mola 3, 60% do apoio veio do exterior. Segundo o ranking da plataforma Kickstarter, que hospedou a campanha, o produto vendido por Sequeira é o projeto brasileiro que mais arrecadou dinheiro pelo site.

Na empresa de Sequeira hoje trabalhando quatro funcionários para dar conta da demanda – além dos 2 mil kits vendidos pela campanha de financiamento, eles abriram um período de pré-venda da terceira versão em seu site. "Mesmo sendo uma empresa pequena a gente tem um orgulho gigante de ser uma empresa 100% brasileira com um produto educativo inovador", afirmou ele.