EUA impõem sanções a militares de Mianmar por massacre contra rohingyas
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EUA impõem sanções a militares de Mianmar por massacre contra rohingyas

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Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (16) sanções contra o comandante-chefe militar do Mianmar, Min Aung Hlaing, e outros três líderes militares em retaliação ao ataque de muçulmanos da etnia rohingya.

De acordo com a agência Reuters, é o mais forte movimento de repúdio dos Estados Unidos desde o acirramento da crise étnica em Mianmar, em 2017. No ano passado, o governo de Donald Trump também impôs sanções a militares do país asiático.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse que ainda há relatos de militares que cometem crimes contra a minoria rohingya. Além disso, segundo o governo dos EUA, as autoridades de Mianmar libertaram soldados condenados pelos assassinatos, o que demonstra "irresponsabilidade" das forças armadas locais.

"Continuamos preocupados com o fato de o governo de Mianmar não tomar atitudes contra essas violações e abusos aos direitos humanos", afirmou Pompeo.

Com as sanções, segundo o departamento de Estado, o comandante-chefe e os demais militares – além de parentes – estão impedidos de entrarem em território norte-americano.

Massacre contra rohingyas

Rohingyas são muçulmanos sunitas que falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste de Bangladesh, de onde são originários. Muitos vivem no estado de Rakhine, no noroeste de Mianmar, mas são apátridas, porque o país lhes nega a cidadania.

Os rohingyas viveram por décadas no estado de Rakhine, sob políticas de discriminação racial parecidas com o Apartheid – regime de segregação que vigorou na África do Sul por mais de 40 anos.

Desde 2011, após a dissolução da junta militar que imperou por quase meio século no Mianmar, as tensões entre as comunidades aumentaram. Um poderoso movimento de monges nacionalistas não se absteve de provocar o ódio, considerando que os muçulmanos representam uma ameaça para Mianmar, um país com 90% da população budista.

Nos últimos anos, milhares deles fugiram de Mianmar para a Malásia ou para a Indonésia. Outros decidiram seguir para Bangladesh, país para onde dezenas de milhares já fugiram desde o início da violência entre o Exército birmanês e os rebeldes no final de agosto.

Considerados estrangeiros em Mianmar, os rohingyas são vítimas de múltiplas discriminações: trabalho forçado, extorsão, restrições à liberdade de circulação, regras de casamento injustas e confisco de terras.