'Ele tinha vontade de devorar o mundo', diz jovem que morou com estudante da UFRGS morto na China
Rio Grande do Sul

'Ele tinha vontade de devorar o mundo', diz jovem que morou com estudante da UFRGS morto na China

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Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), colegas e amigos ainda se perguntam o que realmente aconteceu com o estudante gaúcho Leonardo Cláudio da Rosa, de 23 anos, encontrado morto em Chongqing, na China. A morte dele foi confirmada na segunda-feira (15) pela UFRGS e o Itamaraty.

O aluno do curso de Letras da UFRGS fazia um intercâmbio em Pequim desde agosto de 2018. Ele viajou mais de 18 mil km para estudar chinês. O ex-colega de quarto de Leonardo, o colombiano Jaime Soares, conta que o jovem estava empolgado com a viagem e que fez uma vaquinha online, rifas e até um brechó para ajudar com os gastos extras.

"Ele tinha vontade de devorar o mundo, sabe? A cabeça dele era muito inteligente. Cheio de sonhos", define Jaime.

"O menino que falava cinco línguas, que falava muito bem. Ele foi para a China porque ele ganhou uma bolsa, porque ele era bom nos estudos de uma língua que é supercomplicada", lembra o amigo, que morou com Leonardo na Casa do Estudante, em Porto Alegre.

Natural de Caxias do Sul, Leonardo estudava língua e literatura chinesas dentro de um programa gerenciado pelo Instituto Confúcio na UFRGS, com bolsa oferecida pela Communication University of China (CUC) e pela Hanban, fundação vinculada ao Ministério da Educação da China.

A causa da morte ainda é um mistério. Segundo amigos do estudante, na última semana, ele tinha ido viajar com um amigo brasileiro para a cidade de Chongqing e, lá, teria marcado um encontro com outra pessoa.

A universidade foi informada sobre a morte do estudante a partir de um e-mail de duas meninas que também são intercambistas na China.

"Essas alunas dizem que ele foi vítima de um crime e, especificamente, um crime homofóbico. E a informação que essas mesmas meninas fornecem é a hipótese que a polícia chinesa está considerando, que seja suicídio", relata o diretor do Instituto de Letras da UFRGS, Sérgio Menuzzi.

Segundo o diretor, as informações ainda estão desencontradas. A universidade aguarda, agora, um comunicado oficial da Embaixada Brasileira na China para confirmar como o estudante teria morrido.