Cria do CSA, lenda do Flamengo: Dida saiu de Maceió e conquistou o mundo na Gávea
futebol

Cria do CSA, lenda do Flamengo: Dida saiu de Maceió e conquistou o mundo na Gávea

  • Compartilhar
  • Compartilhar
  • Compartilhar

Quer receber notíticas em tempo real? Curta o Notícia Plus

Dida foi o primeiro jogador a unir o CSA e o Flamengo, adversários desta quarta no Brasileirão. Tudo começou por acaso, lá atrás, em 1953. O atacante jogava no Azulão, já era bicampeão alagoano, e foi convocado para a seleção do estado.

Quando Alagoas enfrentou a Paraíba, olheiros cariocas viram o craque em ação. Depois, veio o convite. Dida foi jogar na Gávea e fez história com a camisa rubro-negra. Tanto que virou o ídolo de Zico e o segundo maior artilheiro da história do Fla, com 264 gols.

Irmão de Dida, Edson Santa Rosa conversou com o GloboEsporte.com nesta terça e lembrou como foi a virada na carreira do craque.

- Antigamente, existiam os campeonatos brasileiros de seleção. Hoje, infelizmente, deixaram de acontecer. Saíram de lá esses grandes jogadores... E o Dida, em um jogo célebre, contra a Paraíba, o time empatando por 1 a 1, ele fez dois gols, que confirmaram a virada - contou Edson.

- O último foi um gol espírita, na linha de fundo, sem ângulo... Esse gol o encaminhou ao Flamengo. Assistindo ao jogo estava a delegação de vôlei (do Fla). Eles ficaram impressionados e fizeram um convite para que ele viajasse ao Rio. Ele aceitou, e foi na raça. Quando chegou lá, tinha adquirido uma icterícia, mas o Flamengo ajudou com o tratamento. Tudo deu certo.

Em Alagoas, Edvaldo Alves Santa Rosa, o Dida, abriu espaço para quem veio depois. Marta, Aloísio Chulapa, Cleiton Xavier, Firmino, Souza, Peu, Pepe... Pelo Flamengo, Dida ganhou fama no futebol brasileiro e conquistou ainda a Copa do Mundo de 1958. Era reserva apenas de Pelé, mas começou o Mundial da Suécia entre os titulares.

- Ele foi o primeiro alagoano que conseguiu se destacar assim internacionalmente. Tudo por causa da Seleção... E eu guardo tudo isso porque é o amor... Tudo que é lembrado com amor, enraíza, permanece - destacou Edson.

Foi por medo de avião...

O irmão conta que Dida tinha medo de avião, mas tomou coragem e voou para o Rio de Janeiro. Mesmo antes da transferência, era fanático pelo Flamengo. Tinha até times de botão com o escudo do clube carioca.

- Ele não queria ir, porque naquela época, em 1953, tinha medo de viajar de avião. Mas foi. Ao chegar lá, ele não começou como titular, jogava pelo campeonato de aspirantes... Quando foi artilheiro, aí ele realmente apareceu.

Semelhança com Kaká

Dida marcou época na década de 50. Quem viu, guardou na memória. Mas, para quem não teve a chance de vê-lo em campo, o irmão contou como era o seu estilo. Edson compara Dida a um jogador muito famoso na última década.

- Eu sou suspeito para falar, mas quem o viu jogar confirma o que eu digo: ele era um excelente driblador, um grande artilheiro e de uma agilidade fora do comum. À época, em 58, ele barrou o Pelé, o que é a confirmação de todo o talento. Ele tinha a habilidade do Kaká, observando direitinho...

CSA e Flamengo

No CSA, o alagoano conquistou três títulos, sendo dois estaduais, em 1949 e 1951. No Flamengo, mais troféus. Dida foi campeão carioca em 1954, 1955 e 1963, do Rio-São Paulo de 1961, e também levantou taças no time de aspirantes.

Homenagem

Dida morreu em 17 de setembro de 2002, aos 68 anos. Em Maceió, um espaço inaugurado em 1993 lembra o craque e destaca suas façanhas. O Museu dos Esportes, mantido pelo jornalista Lauthenay Perdigão, conta detalhes da carreira, leva o nome de Edvaldo Alves Santa Rosa e está localizado no Estádio Rei Pelé.

Ao mestre com carinho

Em 2016, Zico foi a Alagoas para um jogo festivo, também no Rei Pelé, e falou sobre o ídolo. O Galinho passou Dida e se tornou o maior artilheiro da história do Flamengo, com 508 gols.

- Sem dúvida, pra mim, um dos dias mais difíceis foi quando eu estava para bater um recorde dele. Imagina você bater um recorde de seu ídolo. Foi bem difícil. Depois de algum tempo, pude ficar mais perto dele. A última entrevista dele quem fez fui eu, num programa de rádio - contou Zico.