Clarice Falcão fala de depressão em novo álbum e diz como é ficar nua em 'Shippados': 'Fácil não é'
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Clarice Falcão fala de depressão em novo álbum e diz como é ficar nua em 'Shippados': 'Fácil não é'

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Clarice Falcão precisou se despir de suas amarras e pudores para dar vida a Brita, personagem nudista da série Shippados, exibida no Globoplay. Em boa parte das cenas, a moça aparece pelada junto com o namorado, Valdir (Luis Lobianco), também adepto do naturismo, sem qualquer tabu. Um exercício e tanto para a artista de 29 anos.

"Fácil não é. É um desafio, mas foi importante para eu lidar com meu corpo de outra forma. Parte do que me encanta nos trabalhos é fazer o que nunca fiz. Não tenho vontade de fazer para sempre a mesma coisa, isso me deixa angustiada, muito mais do que expor meu corpo", explica Clarice, que usou tapa-sexo durante as filmagens.

"O fato de eu me sentir tão incomodada no início me fez ver o quanto é importante, sim, a gente tratar o corpo com naturalidade, sem sexualizar, sem objetificar. E é corpo de gente normal, sabe? Não sou uma mulher que malha cinco vezes na semana."

Parceria e confiança

A intimidade com Lobianco fora do set foi primordial para Clarice se libertar em cena. Amigos desde 2012, quando atuaram em um canal de humor na internet, os dois construíram uma relação de confiança que fez com que o público desse match nesse casal cômico.

"Lobianco facilitou para mim, me deu uma segurança muito grande. A gente se dá bem, se diverte junto, então consegue deixar as coisas mais leves. Todo mundo que teve um relacionamento longo consegue se identificar com eles, porque chega um momento em que o corpo do outro às vezes é sexual, outras não. Às vezes, é só um lugar de carinho, para se emaranhar sem necessariamente ter um ato sexual. Um tem o corpo do outro como conforto também", acredita a atriz.

Na série, a personagem de Clarice é amiga do casal protagonista Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch), usuários assíduos de aplicativos de paquera. Fora dos estúdios, a atriz conta que também já tentou flertar em sites de relacionamento, mas que não vingou:

"Usei brevemente, só que nunca deu muito certo comigo. Entrei para ver como era, mas não cheguei a marcar nada. Acho o máximo. Volta e meia, quando tem um amigo solteiro que deixa um aplicativo desses na minha mão, fico escolhendo pessoas para ele. É divertido (risos)".

Clarice Falcão também assume que já houve uma fase em que, para agradar os outros, manipulava suas fotos em uma antiga rede social. Mas que se libertou disso e está em paz com o espelho.

"Minhas fotos eram cheias de efeito, diminuía meu nariz. Mas, hoje, que tenho mais segurança, não. Minha graça não é que sou perfeita. Tenho narigão, sou um pouco esquisita e quem não gostar, não gostou. Quando mais nova, queria estar no padrão, ter o rosto perfeito, ser supermagra. Hoje, vejo muito mais graça no imperfeito! Acho até que se eu mexer no meu nariz vou ficar sem graça."

Nessa ânsia de pertencimento, Clarice revela que já fez de tudo um pouco, inclusive dietas malucas, mas que, com o tempo, foi aprendendo a se enxergar e a se valorizar do jeito que é:

"Sempre fui mais gentil e vi beleza nos outros, mas eu mesma não tinha esse olhar comigo. Posso não estar dentro do padrão, mas tenho minha beleza também. Tem tantos tipos, né?".

Como Brita, sua personagem na série, ela também já frequentou praia de nudismo: "Na Europa, mas só fiz topless e foi ótimo. A gente não tem que se forçar a nada, mas estar sempre atenta até onde consegue sair da zona de conforto, que é tranquila, mas também perigosa no sentido de não avançar, não evoluir como ser humano".

O que importa é ser feliz

Desencanada, Clarice decidiu, para a personagem, deixar de depilar as axilas: "Eu tinha uma loucura com depilação. Hoje, relaxei, até para a série. Resolvi deixar os pelos no sovaco. É outra vida. E tudo bem depilar, mas sinto que fiz muitas coisas que atrapalhavam minha vida e que, hoje, trato de outra forma."

"Salto alto agora só quando quero fazer uma graça. Minha noite é muito mais feliz de tênis ou sapato baixo. Não vou mais sacrificar minha felicidade em nome de uma coisa que a sociedade acha que é mais bonito. Não é uma troca justa."

Disco novo

No papel de cantora e compositora, Clarice Falcão também se mostra com transparência e libertação. Em "Tem Conserto", seu terceiro álbum de estúdio, que contém nove faixas inéditas, a artista canta suas aflições como a depressão, diagnosticada ainda na adolescência.

Mas tudo temperado com o que ela sabe fazer, e muito bem, que é o humor. O som, Clarice avisa, não é pesado. Ao contrário, "está bem de pista, dançante". E quem quiser conferir no Rio de Janeiro, dia 20/7, ela sobe ao palco do Circo Voador, na Lapa.

"Quando lancei o primeiro single, 'Minha Cabeça', recebi muito feedback dizendo que eu estava descrevendo exatamente uma crise de ansiedade, falando o que muitas pessoas queriam, mas não conseguiam. Isso é bom para mim também. Me sinto menos sozinha, porque quando você coloca uma coisa tão pessoal como essa para fora, dá medo de todo mundo falar mal. E quando dizem que se identificaram, eu mesma me sinto fazendo parte de algo maior", pontua.

Remédio e santo remédio

Em processo de construção de carreira e de autoaceitação, Clarice fala de como tem lidado com sua vulnerabilidade:

"Com a síndrome do pânico sei que preciso de medicação na hora, isso me ajuda muito. Mesmo sem crise sei que não posso ficar sem, porque, até conseguir uma receita, vou sofrer. São coisas que a gente vai aprendendo".

A comédia, segundo ela, tem sido seu santo remédio: "Minha família sempre lidou com muito humor, mesmo nas desgraças. É uma forma, pra mim, de encarar as coisas de forma mais leve. Faz parte do jeito como eu vejo o mundo. Faço arte para me comunicar".